Trevas e Luzes

                                              
 Assim como os renascentistas tratam a Idade Média como Idade das Trevas, em oposição às Luzes, simbologia do esclarecimento e autonomia da razão, Kant também se referiu à esse período como da menoridade intelectual. Em todos os períodos da história humana se constata um lado de ‘trevas’ e outro de ‘luzes’. Em Kant, menoridade intelectual é a condição que o homem comum estava submetido a uma teologia que lhe dava todo o conhecimento como revelado e ‘interpretado’ com exclusividade pelo clero, tutelando o entendimento e refletir do povo. Porém, controvérsia se estabelece quando, numa análise mais acurada da produção do pensamento e debates teóricos (poder-se-ia também citar avanços técnicos) que esse ambiente proporcionou, quando encontramos nomes e ideias de elevado e profundo questionamentos autônomos, que numa linha evolutiva conduz a civilização ocidental até ao Renascimento, contrariando o absolutismo da tese de uma era estéril. Podemos citar, entre outros, o pensamento de Bacon (embora esse tenha sido um iconoclasta do pensamento de todo o período anterior da História até seus dias, com poucas excessões), Grossete, Ockham, Duns Scot etc.
Márcio de Carvalho Bitencourt

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